Testes sorológicos

Testes não-treponêmicos
VDRL (Venereal Diseases Research Laboratory)
Teste inespecífico, para rastreamento e acompanhamento de resposta ao tratamento. Apresenta especificidade limitada, porém com alta sensibilidade.
A presença do T. pallidum nos tecidos provoca a formação de anticorpos inespecíficos (reaginas) que aglutinam com a cardiolipina. Usa-se o antígeno cardiolipina-lecitina-colesterol e observa-se aglutinação / floculação com as reaginas que ocorrem nos casos positivos. Considera-se como resultado final o título após a maior diluição que apresenta reatividade (exemplo: 1:128 é mais reativo que 1:64).
Quando o título de anticorpos é muito alto pode não ocorrer a aglutinação, chamado efeito prozona. Neste caso, há necessidade de maior diluição do soro para que a aglutinação ocorra (3). O efeito prozona ocorre em aproximadamente 2% das pessoas infectadas, especialmente em sífilis secundária e gestantes (10).
Aumentos de quatro vezes no título da VDRL indicam progressão da doença e diminuições de quatro vezes indicam regressão.
Ocorre soronegativação espontânea em 25% dos infectados não tratados. Falso positivo agudo pode estar associado a hepatite, mononucleose, pneumonia viral, infecções virais, bacterianas, parasitológicas, imunização, gravidez e casos onde há intenso estímulo imunológico. Falso positivo crônico está relacionado a doenças do tecido conjuntivo e imunoglobulinopatias, doenças auto-imunes, usuários de drogas endovenosas, idosos, hanseníase e doenças malignas. Em pacientes portadores de HIV pode ocorrer devido a estimulação policlonal de anticorpos. As reações falso-positivas biológicas em geral mostram títulos baixos, de 1:1 a 1:4, mas eventualmente elevados (13). Falso negativo pode ocorrer na fase primária enquanto o cancro ainda está presente e na fase tardia (12). Na suspeita de neurossífilis, após o teste sorológico treponêmico positivo, deve-se realizar o teste de VDRL no líquor. Desta maneira, adquire-se alta especificidade para confirmação diagnóstica e falsos positivos serão infrequentes (8).
O teste de VDRL é indicado para a investigação dos casos de sífilis gestacional e congênita. A infecção do feto está na dependência do estágio da doença na gestante, quanto mais recente a infecção materna, mais treponemas circulantes e mais grave a infecção fetal. O risco de acometimento fetal é progressivamente maior dependendo da idade gestacional, variando de 70% a 100%, sendo incomum nos quatro primeiros meses de gestação. Por isso, a necessidade de se testar duas vezes na gestação (início e 30ª semana) (2). O tratamento materno geralmente, mas nem sempre, impede a infecção fetal.
 
Sensibilidade dos testes sorológicos
 
Teste
Estágio
 
Primário
Secundário
Latente
Tardio
VDRL
78(74-87)%
100%
95(88-100)%
71(37-94)%
RPR
86(77-100)%
100%
98(95-100)%
73%
FTA-Abs
84(70-100)%
100%
100%
96%
MHA-TP
76(69-90)%
100%
97(97-100)%
94%
 
Testes treponêmicos
 
Teste de Imunofluorescência - FTA-Abs (Fluorescent Treponemal Antibody-Absorption)
Teste sensível em todos os estágios da sífilis, sendo o melhor teste confirmatório para testes de cardiolipina positivo ou para verificar infecção em face de teste não-treponêmico negativo em doença tardia ou em fase de latência. Usa-se anti-anticorpos marcados, após a remoção de anticorpos de treponemas nãopatogênicos.
Quando realizado como rastreamento na população em geral encontra-se 1% de falsos positivos, sendo geralmente transitório e de causa desconhecida. Falsos positivos também podem ocorrer em pessoas com globulinemia, com anticorpos antinucleares, portadoras de lúpus eritematoso sistêmico, mononucleose, doença de Lyme, hanseníase, malária, leptospirose, usuários de drogas endovenosas e idosos (8, 12). Não é recomendada a realização em líquido cefalorraquidiano, devido aos muitos falsos positivos. Entretanto, alguns especialistas acreditam que resultados negativos excluem a eurossífilis (14).